Por: Anderson Costa.
Evidente que não
devemos, portanto, desconsiderar os intentos políticos e tendenciosos por trás
deste vai-e-vem de determinados assuntos, sobretudo nos espaços midiáticos, em
especial, em tempos de eleição, quando as ações tendem a atender a interesses
particulares e ganham feições estritamente eleitoreiras. No entanto, não
pretendo ater-me a estes fatos, embora em tenha que admitir, que tenho a mesma
impressão quando escuto falar em educação
inclusiva. Em consonância com o título, dedicarei uma maior atenção ao
sistema de cotas raciais, como elemento importante no arcabouço das politicas
afirmativa na tentativa de inserção do negro no ensino superior.
Embora debatida a mais de uma década, por
conta de sua complexidade, sobretudo histórica, as cotas são vistas, ainda
hoje, com certa reserva, por melhor dizer, com certa resistência. Opositores ao
sistema de cotas e defensores destas, arrolam diversos argumentos e
contrapontos na defesa de suas ideias. Contudo, coadunam e convergem em um
ponto, que é a importância de se debater o racismo e a discriminação no Brasil.
De toda sorte, chamo à
atenção para alguns questionamentos: como podemos falar de educação inclusiva,
se ao menos se consegue perceber como legitima as politicas afirmativas para
promoção de igualdade? Como falar de inclusão, se as cotas ainda são vistas por
alguns, inclusive membros do judiciário e profissionais em educação, como uma
forma de segregação? Como pensar em mudanças, garantindo universalização de
acesso à educação, se as cotas ainda são vistas como privilégios ou caridade?
Como conceber a ideia de uma educação inclusiva, se sabidamente a temos
negligenciada pelo Estado? Como pensar em inclusão, se a educação no Brasil
está a muito sucateada?
Os questionamentos supramencionados
problematizam um tema, que por si, já traz uma complexidade considerável, já
que sabemos o quão desigual e preconceituoso é nosso país. Vejamos o que diz o
deputado federal Luiz Alberto a respeito:
“O Brasil é um país desigual. O racismo é uma ideologia que contaminou
toda a sociedade brasileira e traz consequências concretas na manutenção de
diferenças históricas. Embora o princípio da igualdade seja constitucional, o
legado nefasto de 350 anos de escravidão permeia a sociedade brasileira”.Militante
da causa negra, o deputado ainda completa:
“Uma
nação que viveu essa exploração e perpetua o abandono não está impune”. A
maioria de negros e pardos vive numa exclusão brutal. “A sociedade é marcada
pela desigualdade no acesso a oportunidades, bens e serviços públicos, como
educação, saúde, saneamento básico e mercado de trabalho”.
Em acordo com o que diz o deputado, acredito
que numa sociedade marcada pelas assimetrias sociais, em que as desigualdades
saltam aos olhos, é preciso, antes de tudo, reconhecer as lacunas existentes e
o abismo social construído no decurso do tempo e adotar
medidas eficazes de promoção de igualdades, tomando como o exemplo o sistema
de cotas, ao invés de propor medidas sem consistência e vazias de significado,
como alardear uma suposta educação inclusiva, sem ao menos criar condições
reais para que isso aconteça. Observa-se isso, quando constatadas as
precariedades do ensino, em seus diferentes patamares: fundamental, médio e
superior, evidenciados pela falta de capacitação dos profissionais em educação,
melhorias nas condições de trabalho destes profissionais, salários compatíveis
com a formação e capacitação dos professores, diminuição na jornada de
trabalho, um plano especial de aposentadoria, que atenda aos anseios destes
profissionais, dentre outros.
Utopia ou quimera, acredito que é possível
sim, uma educação que abrace a todos, mas não acredito em conto de fadas ou
duendes, não há outra saída ou heróis, só o investimento qualitativo em educação
e a priorização desta, propiciará uma efetiva mudança, uma transformação estrutural.
Neste contexto, as cotas raciais se configura como um passo importante na
promoção de igualdade, sem a qual, tornar-se-ia muito mais difícil diminuir ou
quem sabe, extirpar os abismos e assimetrias existentes. Cotas já!
Filósofos como Sócrates, Aristóteles e Platão,
em seus tempos já chamava a atenção para universalização da educação e para a
inclusão de todos. Para estes filósofos a educação é antes de tudo, uma
ferramenta de transformação social e manutenção e consistência da democracia.
Para eles, a educação seria o caminho a traçar, quando o assunto é uma
sociedade mais justa e igualitária.
Para Sócrates:
Para Sócrates:
O conhecimento
possui um valor prático ou moral, isto é, um valor funcional, e
consequentemente é de natureza universal e não individualista;
Processo objectivo
para obter-se conhecimento é o de conservação; o sub-objectivo é de reflexão e
da organização da própria experiência;
A educação tem por
objectivo imediato o desenvolvimento da capacidade de pensar, não apenas
ministrar conhecimentos. Nesses aspectos sua influência tem sido
tão ampla e é ainda tão poderosa quanto foi a influência das suas práticas nas
escolas gregas daquele período.
“A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces”.
Aristóteles
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